Finco minha bandeira na bruma
desprezando a nitidez do real
Sôfrego, mamo na teta dos sonhos
a goles largos e ofegantes
Me lambuzo no mel da ilusão
Protejo-me do sol com cortinas e lentes
Colchões e colchas minhas muletas
Tenho a lua vermelha como amuleto
Minhas paixões são todas platônicas
e meus únicos filhos, poemas
Sou apenas uma mancha distorcida
e os vôos noturnos do meu espírito
representam a única realidade factível
Ipanema, circa 2000
