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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

v.i. vii

ou "i.i. iii"

Havia acabado de acomodar seus quase 100 kg sobre a poltrona que de forma alguma fora concebida para pessoas do seu porte. Ainda tinha estampada na mente, como uma fotografia, o rosto da aeromoça que estava na porta da aeronave, de excepcional beleza. Pensou então em seus tempos de atriz de cinema na França, onde se exilara da sua Ucrânia natal, e lembrou-se da própria beleza 30 anos e 30 kg atrás. Em seguida viu a aeromoça descarregar, sobre um rapaz totalmente convencional, um olhar de desprezo tão intenso que ela se arrepiou inteira. Ao ver a reação do pobre diabo à sua frente, não diferente da sua, sentiu pena. Olhou-o em seus olhos, transmitindo sem perceber uma paz tangível que ele pareceu absorver como uma injeção na veia.

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Hoje alguém muito querido e especial para Marcoré faz 65 anos. Palavras são insuficientes para descrever seu amor, sua gratidão e sua admiração. Mas que ao menos fique o registro.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

v.i. vi

ou "i.i. ii"

Amaldiçou a própria beleza hollywoodiana, conjugada à profissão: não aguentava mais os sedutores (e sedutoras) de plantão e seus olhes convidativos, instigantes, sugestivos, etc... Todos fustigantes. A raiva e a frustração acumuladas durante uma década voando pela mesma empresa haviam, definitivamente, atingido os limites. A represa transbordava sobre aquele projeto de Don Juan, com seu olhar pseudo-cativante. Com seus olhos de um azul sem igual, ela o fuzilou com tudo. Ele sentiu a descarga na pele: seus pelos se eriçaram e um arrepio lhe percorreu a coluna, do cóxis até o pescoço, terminando com um ligeiro chacoalhar de ombros. Tudo fora percebido por ela, que se sentiu esvaziada, limpa, aliviada. Suas pernas vacilaram e se não fosse um colega de reflexos rápidos, talvez tivesse despencado escada abaixo. O pobre diabo de gota d'água nada notara, envolto que estava pelo olhar angelical de uma linda senhora ucraniana, de onde emanava algo inexplicavelmente tão forte a ponto de imediatamente anular o efeito do choque sentido no instante anterior.

sábado, 2 de outubro de 2010

v.i. v


ou "inescrituras' interaction"

Assim que vislumbrou a silhueta da aeromoça que recepcionava os passageiros, soube-a de uma beleza ímpar. Seu reflexo foi de procurar seus olhos, que descobriu azuis como a companhia, porém cinzas e frios como o dia. Havia naquele olhar algo que ia muito além da frieza e que desencadeou nele um choque de adrenalina, como se ele tivesse dropado uma onde de 3 metros numa ressaca no Pontão do Leblon. Teve medo. Cruzou por acaso o olhar de uma senhora muito gorda de cores e traços eslavos que, por algum motivo, também desconhecido, o apaziguou imediatamente. Atropelou, por não tê-la notado, a bela moça de cabelos castanhos e cacheados e olhos tristes que estava parada à sua frente e que se desculpou sem ter motivos para tanto.